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Guia prático · Atualizado em julho de 2026 · Leitura de 8 minutos
Toda nota enviada à SEFAZ volta com um código de status (cStat). Quando ele é 100, a nota foi autorizada. Qualquer outro número costuma ser uma rejeição — e o texto que vem junto é escrito para quem programa, não para quem emite. O resultado é o de sempre: a nota não sai, o cliente esperando, e ninguém sabe o que fazer.
Este guia traduz as rejeições mais comuns da NF-e: o que cada uma quer dizer, o que provavelmente causou e o que fazer. Use o índice abaixo ou o atalho do navegador (Ctrl+F) para achar o seu código.
Rejeitada significa que a SEFAZ não autorizou: a nota não existe e o número pode ser reaproveitado depois de corrigir o erro. Denegada (110, 301, 302, 303) é diferente: a SEFAZ registrou a negativa, o número foi queimado e não pode ser reutilizado nem inutilizado. E duplicidade (204, 539) quase sempre quer dizer o contrário do que parece — a nota foi autorizada e só a resposta se perdeu no caminho.
Este grupo é o que mais gera prejuízo, porque a reação instintiva — emitir de novo — é justamente a errada. Antes de reemitir, consulte a chave na SEFAZ.
O que significa: já existe na SEFAZ uma nota com essa mesma chave de acesso.
O que costuma ser: a nota foi autorizada e o retorno se perdeu (queda de internet, timeout, navegador fechado). Do seu lado ela parece com erro; do lado da SEFAZ ela está válida.
Como resolver: consulte a situação da nota pela chave de acesso e recupere o protocolo de autorização. Só emita outra nota se a consulta confirmar que a original não existe. Emitir de novo por reflexo é como você acaba com duas notas válidas para a mesma venda.
O que significa: a SEFAZ já autorizou uma nota com esse número e série, mas com conteúdo diferente do que você está mandando agora.
Como resolver: mesma regra do 204 — consulte a chave original e recupere o protocolo. A nota autorizada é a que vale. Se o conteúdo estava errado, o caminho é cancelar a autorizada (dentro do prazo legal) e emitir uma nova com número novo, nunca reemitir por cima.
O que significa: existe nota com esse número, mas os dados não batem.
Como resolver: consulte a situação real na SEFAZ. Se o número já foi usado por outra nota, inutilize a numeração que ficou pendente e emita com número novo.
O que significa: a nota nunca chegou lá.
Como resolver: é o caso mais tranquilo: reenvie o mesmo XML, com o mesmo número. Nada foi consumido.
O que significa: o número que você tentou usar consta como inutilizado.
Como resolver: emita novamente para consumir o próximo número. Vale conferir a numeração configurada no sistema, porque esse erro costuma indicar que o contador da série ficou para trás.
Aqui o problema não é o arquivo — é a situação cadastral de alguém. Atenção: nota denegada queima o número. Ele não pode ser reutilizado nem inutilizado.
O que significa: há irregularidade fiscal do emitente ou do destinatário no cadastro da SEFAZ.
Como resolver: regularize a situação cadastral antes de tentar de novo. Emitir outra vez sem resolver só queima mais um número.
O que significa: a Inscrição Estadual da sua empresa está irregular.
Como resolver: procure a SEFAZ do seu estado (ou o seu contador) para regularizar o cadastro estadual. Não há correção possível do lado do sistema.
O que significa: a IE do seu cliente está irregular na SEFAZ.
Como resolver: confirme a situação cadastral do cliente (SINTEGRA ou o cadastro de contribuintes do estado dele). Se ele for isento ou não contribuinte, o cadastro precisa refletir isso — a IE não deve ser enviada nesse caso.
O que significa: o cliente não está habilitado a operar naquele estado.
Como resolver: verifique a situação cadastral do cliente e confirme com ele qual inscrição usar na operação.
Como resolver: confira a IE cadastrada no sistema — só dígitos, sem pontos ou traços, e exatamente como consta no cadastro estadual.
O que significa: o CNPJ está incorreto ou não confere com o certificado digital usado para assinar.
Como resolver: confira o CNPJ do cadastro e confirme que o certificado A1 enviado é o da mesma empresa (matriz e filial têm CNPJ diferentes).
Como resolver: a UF do cadastro da empresa não bate com a SEFAZ que recebeu o arquivo. Corrija o estado no cadastro da empresa.
Como resolver: confira a série configurada. Cada tipo de documento tem faixas de série aceitas pelo webservice.
O que significa: o certificado A1 está vencido, revogado ou com cadeia incompleta.
Como resolver: confira a validade do certificado e substitua por um novo se estiver vencido. É a rejeição mais previsível de todas — e a que mais pega gente desprevenida no meio do expediente. Anote a data de vencimento no calendário.
Como resolver: é um problema na geração interna do código da nota. Tente emitir de novo; se persistir, acione o suporte do seu sistema.
Metade das rejeições do dia a dia mora aqui — e quase sempre por cadastro preenchido às pressas.
Como resolver: o dígito verificador não confere. Corrija o documento no cadastro do cliente. Um sistema que valida o CPF/CNPJ na hora de salvar evita esse erro antes de virar rejeição.
Como resolver: confira a Inscrição Estadual do cliente. Se ele for isento ou não contribuinte, marque isso no cadastro para que a IE não seja enviada.
Como resolver: complete o endereço: logradouro, número, município com código IBGE e UF. Endereço pela metade é rejeição na certa.
O que significa: o código IBGE do município (seu ou do cliente) está errado.
Como resolver: selecione o município pela lista oficial em vez de digitar — assim o código IBGE vem preenchido corretamente.
Como resolver: a NF-e exige CPF ou CNPJ e endereço completo do destinatário. Complete o cadastro antes de emitir.
Como resolver: todo produto precisa de NCM com 8 dígitos, e o código precisa existir na tabela oficial vigente. A tabela muda de tempos em tempos: NCM que funcionava ano passado pode ter sido extinto. Consulte a tabela atual e atualize o cadastro do produto.
Como resolver: o código de barras informado não é um GTIN válido (o dígito verificador não fecha). Corrija o código no cadastro do produto ou deixe o campo como SEM GTIN — é melhor declarar que não tem do que mandar um código inventado.
Este grupo aparece quando alguém ajustou um valor "na mão" e a conta deixou de fechar.
Como resolver: os totais não batem. Reveja desconto, frete, seguro e despesas acessórias — e principalmente qualquer valor que tenha sido digitado por cima do calculado.
Como resolver: o total do item não é igual a quantidade vezes valor unitário. Cuidado com arredondamento: o valor unitário admite quatro casas decimais e o total, duas.
Como resolver: o cálculo do ICMS ficou inconsistente, quase sempre por ajuste manual no item. Limpe os valores digitados manualmente e deixe o sistema recalcular pela regra do produto.
Como resolver: a alíquota excede o teto da operação. Confira a regra de ICMS do produto para a UF de destino — operação interestadual tem alíquotas próprias (4%, 7% ou 12%).
Como resolver: o item está com CST de substituição tributária mas sem MVA e base de ST. Ou preencha a regra de ST do produto, ou ajuste o CST se aquela operação não tem ST.
Como resolver: confira os percentuais de FCP (Fundo de Combate à Pobreza) nas regras dos produtos — o total precisa bater com a soma dos itens.
Como resolver: a soma das formas de pagamento, menos o troco, tem que ser exatamente o total da nota. É a rejeição clássica de PDV com pagamento dividido.
Como resolver: o valor aproximado dos tributos (Lei 12.741) está inconsistente. Reveja a configuração do destaque de impostos.
Como resolver: o CFOP não combina com o tipo da operação (entrada ou saída, dentro ou fora do estado). Confira a natureza de operação escolhida e o CFOP dos itens.
Como resolver: o CFOP começa com 1, 2 ou 3 (entrada) numa nota de saída. Use 5xxx para operação dentro do estado, 6xxx para fora e 7xxx para exterior.
O que significa: algum campo está fora do formato do leiaute (tamanho, tipo ou caractere não permitido).
Como resolver: reveja os campos digitados livremente — descrição do produto, informações complementares, complemento do endereço. Símbolos incomuns colados de outro programa são a causa mais frequente.
Como resolver: um caractere inválido entrou no arquivo, quase sempre em texto copiado de Word ou PDF. Redigite os textos em vez de colar.
Como resolver: a chave informada em "notas referenciadas" está errada. Confira os 44 dígitos.
Como resolver: a data de emissão ultrapassou o limite aceito pela SEFAZ. Emita uma nota nova com a data atual — e desconfie do relógio do computador se isso acontecer sem motivo.
Como resolver: leia o texto completo do motivo devolvido pela SEFAZ — nesse código, a mensagem é mais importante que o número. Também pode ser instabilidade momentânea: verifique o status do serviço e tente novamente em alguns minutos.
Olhando a lista inteira, a conclusão é desconfortável: a maioria das rejeições não é problema fiscal, é cadastro mal preenchido. CPF sem validar, NCM chutado, município digitado à mão, valor ajustado por cima do cálculo. O erro nasce semanas antes, no cadastro, e só aparece na hora pior — com o cliente esperando a nota.
Três hábitos resolvem quase tudo:
Em vez do texto técnico do webservice, o sistema mostra o que aconteceu e o que fazer — com o mesmo conteúdo deste guia dentro da tela. Ele também valida CPF, CNPJ e NCM antes de emitir, consulta a SEFAZ sozinho quando uma resposta se perde e mantém um painel de pendências para nenhuma nota ficar esquecida.
Testar grátis por 7 diasEste guia é material de apoio e não substitui a orientação do seu contador nem a documentação oficial da SEFAZ. Os códigos e textos oficiais estão no Manual de Orientação do Contribuinte (MOC) e nas Notas Técnicas publicadas no Portal da NF-e.
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